Fleximedical vence Prêmio Empreendedor Social 2020

Diante dos desafios da pandemia do novo coronavírus, o tradicional Prêmio Empreendedor Social, da Folha de S. Paulo e Schwab Foundation, realizou uma edição histórica em 2020. Apresentada por Zeca Camargo e Maria Gal, a cerimônia divulgou as 30 melhores iniciativas premiadas em resposta à Covid-19, entre elas, a Fleximedical, na categoria Mitigação da Covid-19. O reconhecimento da Folha de S. Paulo amplia o agradecimento a todos de nossa rede. Equipe, parceiros, fornecedores e amigos. Em um dos últimos encontros com o primo-irmão Roberto Kikawa, em 2018, a executiva Iseli Yoshimoto Reis teve aquele papo clichê em que a pessoa responsável por viabilizar um negócio precisa fazer o sócio sonhador se ater às planilhas. Ela queria que a Fleximedical Soluções em Saúde, empresa de inovação tecnológica, que nasceu na Incubadora USP-IPEN-Cietec, e comandada por ela desde 2011, adotasse uma gestão pautada em indicadores. O médico vencedor do Empreendedor Social de 2010 concordou, mas sublinhou o principal compromisso deles: “Acima de tudo, precisamos ter propósito, algo que toque os corações das pessoas e transforme vidas. Precisamos levar o DNA do amor”. Pouco tempo depois, o criador da Carreta da Saúde, iniciativa que leva atendimento médico especializado através de unidades móveis a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), foi assassinado a tiros, aos 48 anos, em uma tentativa de assalto em São Paulo. Mas o “DNA do amor” estava lá e levou a Fleximedical a atuar de maneira rápida no combate à Covid-19 no Brasil no início da pandemia, segundo Iseli.

“Não podíamos ficar parados assistindo às pessoas morrerem, sem lutar pela democratização ao acesso à saúde, pelo direito de conseguir um simples diagnóstico”, diz a arquiteta hospitalar.

Iseli lembra que arquitetura no Brasil é um serviço para as classes altas. “Arquitetar para gerar impacto social é empolgante e motivador.” “O que nos move são dois legados, o que Kikawa nos ensinou e o que queremos deixar neste mundo, o de ser agente de transformação.” Com mais de 60 unidades móveis de atendimento em comunidades de alta vulnerabilidade social no país, a Fleximedical acelerou suas atividades quando os casos de Covid começaram a se multiplicar. Num prazo de 10 a 45 dias, a empresa customizou as unidades, capacitou a mão de obra para tratar o novo vírus e deslocou carretas, vans e contêineres para as regiões com maior índice de infectados. Em 15 de abril, era inaugurada em Pirituba, na zona norte de São Paulo, a primeira dessas dez unidades, que, além da capital, também chegaram ao interior e ao litoral paulista e a Brasília. Os locais foram escolhidos com base em informações do Data SUS, levando em consideração o número de aumento de casos, a disponibilidade de espaços adequados para atendimento e a necessidade de separar pacientes de alto risco. E, segundo Iseli, nem precisava tanto para saber. “Foi triste, ao parar nossa carreta perto do hospital público, onde havia quarenta leitos de Covid, ver a fila de carros funerários retirando corpos de vítimas da doença”, diz. Dividida em três modelos —triagem e testagem de pacientes com suspeita de Covid fora do ambiente hospitalar, realização de tomografia e testes de eficácia de medicamentos contra o coronavírus —, a iniciativa atendeu a mais de 37 mil pessoas até novembro. Promoveu ainda acesso aos exames, acompanhou evolução da doença e fomentou a pesquisa. O trabalho incluiu o desenvolvimento de Unidades Pocket (de bolso), do tamanho de um guarda-roupa, que prometem ser solução inovadora, acessível e segura para a futura vacinação. As inovações da Fleximedical encantaram gestores, como Virgínia Castro, Mesmo de férias, ela voltou ao local de trabalho para ver a unidade móvel. “Filha, isso, sim, fará diferença aqui, junto ao SUS”, disse ela para Iseli. Ajudar quem busca acesso à saúde e também a quem trabalha na área motivam ainda mais a empreendedora social e sua equipe, que deslocavam as unidades para outras regiões quando hospitais já não conseguiam atender à demanda na pandemia. Com isso, diz Iseli, além de proporcionar a agilidade que o momento de emergência pedia, evitou-se o mau uso de dinheiro público sem a necessidade de construir estruturas que não seriam mantidas. Para ela, o sucesso da ação deve-se a uma “equipe vencedora” — e ao fato de ela mesma ter se colocado na linha de frente. “As pessoas que trabalham conosco, sabem que não é uma empreendedora maluca que se expõe, mas um time que trabalha arduamente para diminuir e minimizar os impactos negativos da Covid”, afirma. “E, principalmente, ajudamos a democratizar o acesso à saúde sem que, para isso, seja necessário nos submeter a qualquer tipo de ilegalidade.” Para ela, a maior inspiração é fazer o bem, como lhe ensinaram Kikawa e sua filha adolescente que tem epilepsia. “Hoje, ela está melhor e já se encanta como setor. Tem orgulho de falar no colégio e para as amigas que a mãe é uma empreendedora social.” E aproveita para explicar o que é isso para essa futura geração, tendo dois ótimos exemplos na família. UNIDADES MÓVEIS DE ENFRENTAMENTO À COVID-19

  • 37 mil pessoas impactadas
  • R$ 3,7 milhões em recursos mobilizados
  • 45 dias foi o tempo que a Fleximedical precisou para customizar unidadese capacitar equipes
  • 60 unidades móveis de atendimento (carretas, vans e contêineres) deslocadas para apoiar o SUS em regiões de alta vulnerabilidade
  • 18 unidades exclusivas para Covid-19, com luzes UVC de acionamento automático para desinfecção do ambiente e revestimentos antimicrobianos
  • 88 profissionais de saúde contratado

 

“Estamos impressionados pela maneira como negócios sociais conseguiram crescer para ajudar milhões na pandemia. É particularmente impressionante como empreendedores sociais brasileiros desempenharam papel vital em suas comunidades e estão na linha de frente no combate ao coronavírus” – Hilde Schwab, cofundadora e presidente da Fundação Schwab, que reúne mais de 400 organizações ao redor do mundo, parceira da Folha há 16 anos na realização da premiação no Brasil.   É uma edição especial, em momento histórico para a filantropia e o investimento social privado, que tiveram papel relevante no socorro aos vulneráveis, no fortalecimento do SUS e na influência em políticas públicas. O Brasil que emerge da pandemia é solidário, resiliente e empreendedor” – Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha.

 *Com informações da Folha de S. Paulo.



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